Gordura Corporal: Qual região do corpo mais se acumula e quais as suas diferenças?

Que a obesidade e o excesso de gordura corporal fazem mal à saúde todos sabemos, embora alguns ainda insistam ser algo meramente estético – “eu me sinto bem assim e é isso que importa”. Aposto que todos conhecemos alguém que pensa dessa forma.

Mas, você sabe em que parte do seu corpo esta gordura se acumula em maior quantidade? E que repercussões esse acúmulo localizado pode gerar? Você sabia que, dependendo da localização da gordura no seu corpo, você pode estar suscetível à diferentes tipos de complicações metabólicas?

Primeiramente, é importante sabermos que os Ácidos Graxos (gorduras) advindos de nossa alimentação podem ser captados por diferentes tecidos em nosso corpo, mas o tecido adiposo (células de gordura) é o maior responsável por sua captação e armazenamento. Entretanto, nossas células gordurosas não se acumulam uniformemente em   nosso   organismo   e   dependendo    das proporções do acúmulo dessa gordura em determinadas regiões do corpo, você pode estar mais suscetível à uma, ou outra determinada comorbidade.

O primeiro local de acúmulo de gordura que podemos destacar é a subcutânea, localizada logo abaixo de nossa pele, entre a última camada da derme e o tecido muscular. É possível ainda subdividir o tecido adiposo subcutâneo em duas regiões: Subcutâneo Abdominal,  localizado na  região do abdômen, ou  Subcutâneo Gluteofemoral, localizado   na região dos quadris (Hermsdorff e Monteiro, 2004). Existe ainda a gordura visceral, que se acumula de forma mais profunda, entre nossos órgãos  vitais nas regiões torácica e abdominal.

Indivíduos obesos que possuem maior concentração de gordura na região abdominal, ou no tronco, podem ser classificados como andróides (tipo maçã). Já os sujeitos que possuem maior acúmulo   de   gordura   na   região   dos   quadris e gluteofemoral, são classificados como ginóides (tipo pêra), sendo mais comum entre as mulheres (Cintra, Ropelle e Pauli, 2011).

corpo

Agora você pode pensar: “Tudo bem, já entendi! As gorduras não são iguais e podem estar em lugares diferente no meu corpo… Mas o que isso muda em minha vida?”

O problema é que a gordura pode exercer diferentes funções em nosso organismo dependendo  de  onde  ela  se  encontra.  Segundo  Cintra,  Ropelle  e  Pauli  (2011)     obesos andróides e com maior quantidade de gordura visceral possuem um risco maior de sofrerem complicações metabólicas e cardiovasculares, enquanto obesos ginóides e com maior acúmulo de gordura subcutânea e glutefemoral, estão mais expostos à problemas  vasculares periféricos, ortopédicos e estéticos.

Já Hermsdorff e Monteiro (2004) apontam a função excretora de proteínas inflamatórias do tecido adiposo como um dos seus principais pontos de diferenciação. Muitos não sabem, mas o Tecido Adiposo é um órgão endócrino muito ativo e possui um importante papel atrelado ao nosso sistema imunológico, produzindo proteínas inflamatórias em nosso organismo (Hermsdorff e Monteiro, 2004; Cintra, Ropelle e Pauli, 2011).

Dentre os diferentes tipos de gordura que citamos, a visceral é a maior produtora dessas proteínas e, por isso, está mais atrelada às doenças metabólicas. A gordura subcutânea também produz muitas proteínas inflamatórias (embora em menor escala), sendo que a subcutânea abdominal produz maiores quantidade quando comparada à subcutânea gluteofemoral (Hermsdorff e Monteiro, 2004;  Samaras et al. 2010).

Essas proteínas inflamatórias são as principais responsáveis por criar um ambiente lipo-tóxico em nosso corpo favorável ao desenvolvimento de comorbidades, como dislipidemia, aterosclerose, hipertensão arterial, inflamação sistêmica de baixo grau, resistência à insulina e diabetes tipo 2 (Cintra, Ropelle e Pauli, 2011; Hermsdorff e Monteiro, 2004; Samaras et al. 2010).

De maneira geral, quanto maior o percentual de gordura corporal (visceral e subcutânea), maiores serão os riscos. Se alguém ainda acredita (ou “prefere” acreditar) que a obesidade é meramente uma questão estética, saibam que uma das principais armadilhas desta doença (sim, a obesidade é uma doença!) é que seus estágios iniciais se desenvolvem de maneira assintomática, dando a falsa ilusão que está tudo bem… tudo sob controle. Mas, grande parte dos obesos que apresentam comorbidades não sabem que as possuem justamente por não sentirem os sintomas. Porém, quando estes começam a aparecer de fato, é sinal de que o quadro já está avançado  e  sua  recuperação  será  difícil  (possível…  mas  mais difícil).

Lembrem-se: o melhor caminho é a prevenção! A Bio Eco Esportes realiza Avaliações Antropométricas e de Composição Corporal que auxiliam na identificação e localização da gordura corporal, bem como possui uma equipe especializada e apta a oferecer os melhores métodos de trabalho para indivíduos obesos.

  • Cintra DE, Ropelle ER, Pauli JR. Obesidade e Diabetes: Fisiopatologia e Sinalização Celular. São Paulo: Editora Sarvier,
  •  Hermsdorff HHM, Monteiro JBR. Gordura visceral, subcutânea ou intramuscular: Onde está o problema? Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. Vol. 48, Numero 6.
  • Samaras K, Botelho NK, Chisholm DJ, Lord RV. Subcutaneous and Visceral Adipose Tissue Gene Expression of Serum Adipokines that Predict Type 2 Diabetes. Vol.18, Issue 5. 2010.

Rodrigo S. Galhardo, professor BioEco – Corrida / Treinamento Funcional / Personal Trainer.

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