Exercício físico e depressão: ressignificar a essência

A Organização Mundial da Saúde estima que temos hoje no mundo mais de 350 milhões de pessoas afetadas pela depressão. O transtorno depressivo maior é o mais prevalente transtorno mental 2005), com uma prevalência ao longo da vida de 6-15%. A depressão é um dos diagnósticos mais comuns quando pensamos nos cuidados da saúde (OMS, 2001). A depressão reduz a saúde mais do que doenças somáticas como artrite, angina e diabetes e, também, a depressão foi uma das principais causas de incapacidade em 2012 (OMS, 2012). A taxa de mortalidade de depressão é de cerca de 4%, o que equivale ao do tabagismo. Para pessoas que sofrem de doenças somáticas, como câncer, doenças cardiovasculares e infecções, o risco de mortalidade aumenta ainda mais com depressão comórbida.

Diretrizes do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), recomendam os tratamentos psicológicos cognitivos, terapia comportamental ou terapia interpessoal como sugestão para depressão leve a moderada, seguido por medicação antidepressiva. Muitos pacientes não alcançam alívio suficiente dos sintomas apesar de realizar o tratamento adequado implementação e 50% experimentam pelo menos um novo episódio depressivo. Pesquisas apontam para a importância de maximizar a resposta ao tratamento o mais cedo possível devido ao declínio do prognóstico com o passar do tempo e também, devido a falhas nas respostas ao tratamento. O tratamento subsequente é frequentemente necessário para aumentar o efeito, seja alterando o tratamento ou adicionando um. Dadas as graves consequências da depressão, intervenções rentáveis e robustas para estabelecer a recuperação e prevenir a recaída são cruciais.

Tanto a Organização Mundial das Nações Unidas (OMS) quanto as diretrizes National Institute for Health and Care Excellence recomendam a implementação de exercícios físicos no tratamento padrão da depressão, no entanto, é importante ter conhecimento atualizado sobre o efeito do exercício na depressão, tendo em vista que o exercício, se não for pensado e introduzido de forma adequada, poderá piorar o quadro depressivo em questão.

Nesse sentido, uma equipe de pesquisadores da Noruega liderada por Siri Kvam et. al (2016) realizaram uma revisão denominada “Exercise as a treatment for depression: A meta-analysis”, observaram que principal análise indica que o exercício como tratamento para depressão unipolar tem efeito moderado a grande (g = 0,68) em comparação com as condições do grupo controle.
Os achados da meta-análise indicam que o exercício é uma intervenção eficaz para a depressão em comparação com vários tipos de grupo controle. O efeito do exercício como tratamento interdependente é evidente e, ainda, é particularmente alto quando comparado a pessoas sem intervenção medicamentosa. Assim, o exercício pode servir como uma alternativa para pacientes que não respondem ao tratamento dado, pacientes que estão aguardando tratamento, ou aqueles que por diferentes razões não recebem ou não desejam o tratamento tradicional.

Dentre as possibilidades de estimulo, ressaltamos o trabalho de endurance, força, potência, flexibilidade e hipertrofia. Esses, a partir de avaliação de composição corporal e testes para ver o estado em que a pessoa se encontra, sugerimos, serem incorporados ao ciclo de treinamento.
É importante ponderarmos em nossa contribuição a escolha adequada dos tipos de exercícios e como será feita a periodização do programa de saúde. Assim, juntamente com os profissionais da equipe terapêutica podemos proporcionar a ressignificação do estilo de vida da pessoa e melhorar sua qualidade de vida para poder gozar de todas as possibilidades positivas que a vida pode oferecer.

Alan Schmidt, treinador BioEco – Esportes de Aventura / Canoagem / Corrida / Triathlon / Personal Trainer.  
Referências:
NICE. https://www.nice.org.uk/guidance/cg90 . Acesso em 29/10/18.
OMS. http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression . Acesso em 29/10/18.
S. Kvam et al. / Journal of Affective Disorders 202 (2016) 67–86
http://faculty.cas.usf.edu/mbrannick/meta/CMA/Kvam2016ExerciseDepressionMeta.pdf . Acesso em 26/10/2018.

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